Resenha do livro ''Uma Vez Você, Uma Vez Eu''




OPA, abigossss.
Como sabem, estou concentrando uma atenção prioritária em parcerias com autores nacionais, principalmente neste semestre, já que o trabalho vai dobrar com campanhas de editoras associadas. O ciclo segue volteando com vigor. Hoje trago a vocês uma análise da obra ''Uma vez você, Uma vez eu'' da autoria de Diego Martello, que é realmente um dos melhores escritores, em termos de talento, com quem eu tive a oportunidade de trabalhar (e olha que não me dou o trabalho de fazer elogios gratuitos - se recebeu, é porque é.).


Ficha

  • Título: Uma vez você, Uma vez eu
  • Autor: Diego Martello
  • ISBN-13:  9788542806298
  • ISBN-10: 8542806298
  • Ano: 2015
  • Páginas: 184
  • Idioma: Português (BR)
  • Editora: Novo Século (Novos Talentos da Literatura Brasileira)
  • Sinopse: Marcos e Willian, pai e filho, tentam se reconciliar após anos de desentendimento. Em paralelo, Eva, mulher de Willian, quer a todo custo engravidar, o que frustra o casal. A partir da visão do interior de cada um, esses personagens terão de reconfigurar o modo de pensar para enfrentar os seus conflitos. Nessa fase tão conturbada para todos, reflexões acompanham cada segundo da trajetória deles.
    Narrada de forma surpreendente, provocativa e crítica, esta obra não tem a pretensão de apresentar soluções para os problemas enfrentados, mas, sim, mostrar as armadilhas de nosso fluxo de consciência, para compreendermos que as soluções dos problemas dependem, muitas vezes, da forma como se lida com as ilusões, ou, ao contrário, como se enxerga verdadeiramente a realidade.
  • Gênero: / Literatura Nacional / Romance
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RESENHA

Monumento possante. Assim podemos descrever a narrativa de ''Uma vez você, Uma vez eu''. É uma obra que expõe, acima de tudo, a aptidão do autor, até mais do que a história em si. 

'' (...) a responsabilidade deve crescer junto com a força (...) ''

Vamos nos reter ao enredo: William é um homem de sucesso, casado e extremamente criterioso. Seus iluminados pensamentos são exatamente o motor que guia grande parte da história, condecorada desde os seus problemas pessoais até aos seus anseios profissionais. O nível intelectual do personagem merece importante menção pois é deveras grandioso, todos os seus discursos motivacionais já são capazes de definir o quão o personagem é bem resolvido.

Com sua esposa, Eva, ele divide uma angústia comum em vários casais: o embaraço resultante de não conseguirem ter um herdeiro. É evidente que tal dificuldade lhe traz frustrações, mas o interlocutor pode sentir o pulso firme de William ao lidar com essa situação.

Em outro momento, é trazido à tona a desagregação familiar ocorrida entre o protagonista e seu pai Marcos. As motivações para a separação são muito bem delineadas, recusando superficialidades e aprofundando-se no que realmente importa para o curso da trama.

O conflito fantástico entre as características e aflições de Willliam podem soar bem familiares. O fato dele ser autoconfiante mas ainda assim se abater por opiniões contrárias é um exemplo disso.

Complexidade e profundidade permeando as veias dos personagens. Todos com muito conteúdo.

Particularmente, demorei para sacar a essência da trama, bem como o sentido que nela habita, no entanto, quando acontece o momento de reencontro entre pai e filho, todo contexto se transforma, havendo assim uma explosão de porquês, sempre com uma coerência impecável.

A habilidade na escrita de Diego Martello foi de excelência exorbitante, mesmo em diálogos gigantescos, estes adaptados para que o romance não perdesse seu requinte. Essas conversações raptam a atenção do leitor mais atento por serem traçadas com perfeição até na escolha de verbetes.

Martello se saiu muito promissor em sua primeira obra, se ele quisesse se passar por um autor de grande curriculum, ele certamente conseguiria. Sua narrativa em pequena análise pode parecer muito formal, mas engana-se quem assim define. A meticulosidade e ordem na escrita contribuem para que ele seja um magistral. Facilmente se encaixaria em qualquer outro gênero literário.


Terapia pós-leitura

  • É um Casos de Família 2.0 para pessoas finas. (sem baixarias, claro.)
  •  Eu não me identifiquei com William. Na verdade, me apaixonei por ele. Que homão da p****. Eva que se cuide.
  • É necessário se ter calma e lucidez para extrair o miolo vistoso do enredo. Não funciona ler na correria. O bacana do livro é a reflexão, e sem bonança o leitor não chegará a lugar nenhum.
  • Seria Diego um novo Manoel Carlos? Me chama para ser Heleno que eu vou.
  • Conteúdo tão denso e bem construído que oscila entre vários temas muito relevantes como: relações familiares e seus abalos, o desenvolvimento profissional, o Mal de Alzheimer, etc.

Notas

  • Construção de personagens: 20/25. 
  • Condução da trama: 18/25. 
  • Escrita/Tradução: 25/25. 
  • Fim: 18/25. 

  • Pontuação Final: 8,1/10

Assista ao booktrailer:

Resenha do Livro ''O Colecionador de Borboletas'' de Cecília Mouta




Hoy, abiguitos.
Quem me conhece sabe que, no início do ultimo ano, estive obcecado por borboletas. Tal vibe ocorreu devido a influencia afável da cantora Aurora Aksnes, que me levou a escrever uma personagem, também nomeada Aurora ( com codinome A Mariposa Feia), para o meu ultimo romance 'Clube dos Feios'. 

Embora a minha Mariposa tivesse fonte de seu espírito virtuoso nas canções de  Aksnes, nunca encontrei uma outra manifestação artística que lhe assemelhasse tanto. Isso de fato mudou quando chegou em minha casa o livro 'O Colecionador de Borboletas' de Cecília Mouta, fruto de uma parceria que envolveu gentileza insigne da escritora. E é sobre essa obra que hoje o Banana Master irá fazer uma review. <3

Ficha

  • Título: O Colecionador de Borboletas
  • Autor: Cecília Mouta Guimarães
  • ISBN-13:  9788576798101
  • ISBN-10: 8576798107
  • Ano: 2012
  • Páginas: 256
  • Idioma: Português (BR)
  • Editora: Novo Século (Novos Talentos da Literatura Brasileira)
  • Sinopse: Você sabe qual a verdade sobre o efeito borboleta?Nicola é um pesquisador e colecionador de borboletas que perdeu a memória. Durante sua recuperação, com a ajuda de uma psiquiatra, descobre que possui o poder de voltar ao passado e modificá-lo, e também que era apaixonado por uma garota chamada Joana, que aparece repetidas vezes em meio à suas confusas visões.
    Pior que uma lembrança morta, é uma lembrança que insiste em ressurgir. E Nicola terá que seguir o fio de suas vagas recordações para desvendar até que ponto alterou seu passado. Porém, este colecionador ainda não tem consciência do quanto o efeito borboleta pode ter afetado seu próprio destino.
  • Gênero: Suspense / Fantasia / Literatura Nacional / Romance
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RESENHA



'O Colecionador de Borboletas' é o que eu posso chamar de trama sublime, embora mantenha realces sombrios com o passado de seu protagonista Nicola, que tem sua história traçada coerentemente em primeira pessoa.

A estrutura do enredo é tênue e veloz, implicando considerável surrealidade em certos fatos da narrativa. No entanto, Mouta se esquiva de padrões do gênero ao se destinar a explanar uma jornada sobre mistério, fantasia e filosofia. Sim, filosofia. Sobre o tão célebre e temido TEMPO, elemento ultimamente comum em diversas expressões artísticas, principalmente na industria cinematográfica.

Temos diálogos dotados de reflexividade. Produtivíssimos. Inteligentes. Orquestrados de maneira incontestável. São propositalmente limitados para podar o excesso de informações desnecessárias, ao mesmo tempo em que se é notável a habilidade de Mouta em exteriorizar uma conversação realista e totalmente capaz de imobilizar o leitor.

''Eu tenho um corpo, Liz. Mas não tem como provar que tenho uma alma. Algo para viver.''

O protagonista é Nicola Macwood, que é apresentado em uma cena envolvendo agonizante tensão. Sobre o rapaz, absorvemos informações relevantes conforme as páginas vão passando. Ele estava numa espécie de rehab, não se lembrava de seu passado e tinha uma ligação intrínseca com borbeletas. Descobrimos ainda mais: ele foi graduado em biologia, singularizando-se no ramo da entomologia, por influência de seu grande amor, a doce Joana.

Os obstáculos iniciais do personagem-central concentram-se justamente em se lembrar do quê o levou àquele deprimente estado, tanto quanto se ater em tudo o que ocorreu posteriormente, enquanto seguia internado. Onde está sua amada Joana? Quais as consequências do Efeito Borboleta?

''As borboletas sempre sabem qual é o seu jardim.''

O casal ''Jonico'' é um dos pontos altos da trama ao laçar o leitor com diálogos encantadores. Tal grandeza se mostra tão perceptível (e familiar) que logo nos traz à mente nítidas imagens de casais formados por crianças no cinema. (vejam Coming of Age na Netflix.)

A complexidade do enredo é operada de maneira simples e convencedora. Pode crer que o leitor que desconhece o assunto (como eu) irá procurar mais informações sobre o instigante Efeito Borboleta.

Os problemas de narrativa felizmente não se encontram por deslizes e furos da história, que é especialmente muito bem encaixada, mas sim na constante repetição de ações. A exemplo, temos o fato dos personagens chorarem o tempo todo, por qualquer coisa.

Terapia pós-leitura

  • Jonico <3
  • Achei incrível a ação socioeducativa da trama ao tratar do tabagismo. 
  • A maneira como Nicola descreve o processo de regressão temporal foi muito bem elaborada, detalhando ações anteriores ao contrário até se voltar ao ponto desejado. Entretanto, presumo que o rapaz conseguiu utilizar-se dessa artimanha com muita facilidade, não foi algo conquistado com empenho. Ele simplesmente desejou e conseguiu, como se já fosse um gran mestre nisso. 
  • Mesmo recorrendo a retroação do tempo, nem sempre pode-se impedir tragédias. Realmente muito interessante... Nos cabe refletir, refletir e refletir.  
  • AS ÚLTIMAS FRASES DO MEU STATUS DO WHATSAPP FORAM TIRADAS DESSE LIVRO. :3

Notas

  • Construção de personagens: 17/25. 
  • Condução da trama: 19/25. 
  • Escrita/Tradução: 20/25. 
  • Fim: 17/25. 

  • Pontuação Final: 7,3/10

RESENHA DO LIVRO ''SEGREDOS OBSCUROS'' DE CAROLINE DEMANTOVA



Hoy, abiguitos.
Cá estou para escrever sobre minha última leitura, o suspense ' Segredos Obscuros ' da autora nacional Caroline Demantova. Farei o possível para não ficar destilando spoilers, a fim de que não os façam perder o interesse nesta enigmática trama.



A imagem pode conter: 1 pessoa, sentado Ficha

  • Título: Segredos Obscuros
  • Autor: Caroline Demantova
  • ISBN-13: 9788542808582
  • ISBN-10: 8542808584
  • Ano: 2016
  • Páginas: 560
  • Idioma: Português (BR)
  • Editora: Novo Século (Novos Talentos da Literatura Brasileira)
  • Sinopse: Roxana Irving, uma ex-modelo famosa por escrever um livro sobre os bastidores da moda, decide se retirar para um isolado hotel fazenda no interior do Paraná, a fim de escrever sobre um famoso homicídio ocorrido no local: Cristiano Diniz foi acusado de matar Barbara, sua esposa, com base em provas indiciárias. Entretanto, o corpo não foi descoberto e, mesmo assim, Cristiano foi denunciado por homicídio – eis que em seu carro foram encontradas uma bolsa e uma blusa contendo o sangue da vítima, e uma testemunha afirmou tê-lo visto carregando o corpo da esposa para o meio do mato.
    Um mês após a prisão de Cristiano, o corpo da esposa aparece misteriosamente. E pior: tudo indica que ela havia sido estrangulada nos estábulos do hotel, apenas duas horas antes. Mas esse crime, que culminou na morte de Barbara, nunca foi esclarecido, e Cristiano, desaparece num acidente de carro.
    Para desvendar esta intrincada e surpreendente trama, Roxana irá se deparar com segredos obscuros que envolvem a vítima e que ameaçam a vida do filho de Barbara.
  • Gênero: Suspense / Thriller / Literatura Nacional / Romance
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RESENHA


A partir do primeiro capítulo, Segredos Obscuros monta toda a estrutura de seu enredo recorrendo a instrumentos habituais de gêneros mais leves e desvinculando-se do rebuscamento de obras deste formato. Isso definitivamente é eficaz, já que o produto final é de mais de quinhentas páginas, portanto, haja criatividade: e houve.

Demantova empoderou-se da criação de diálogos impactantes e didáticos entre os seus personagens, tais quais eram os principais responsáveis em conduzir os prometidos segredos obscuros. Isso fez com que eu me lembrasse dos roteiros da dramaturga Maria Adelaide Amaral, que carregam a mesma essência, pelo menos em alguns notáveis parâmetros. 

Chegará um momento em que você irá parar e refletir sobre toda história de Bárbara. É chocante e comovente. Acredite e destrinche todos os lados ocultos da história.

Como a sinopse já narrava, a história gira em volta de Roxana (que parecia ter saído de Pret-à-Porter), uma protagonista extremamente humana, com sua construção singular e mestral. A bela mulher é uma ex-modelo, com um passado pra lá de conflitante, que naquele momento buscava se dedicar a concepção de um novo livro. Sim, ela também era escritora. Para tanto, viajou até a cidade de Santa Leocádia, onde um brutal assassinato é de conhecimento de todos os seus habitantes. Tal fato é justamente sobre o que Roxana busca escrever: a morte de Bárbara Leonardi e todos os efeitos externos desencadeados através disso.

A narrativa é a típica ''contando ''causos'', em terceira pessoa, e é elétrica ao interligar cenas e conversações que se ajustam pela necessidade da ex-modelo e escritora encontrar e reunir informações que a ajude escrever o seu novo livro. Tal habilidade (mérito pleno de Caroline) proporciona uma leitura aliviada mas que exige a criação de muitos fatos para não empobrecer a história. 

Os três se encararam, em silêncio. Finalmente ela aparecera. Finalmente, explicações seriam dadas. Aquele momento tão esperado finalmente se concretizara.
Em certos momentos a própria obra se 'autoengrandece' ao apresentar estilos comuns de uma sinopse. A exemplo disso temos a última linha da página catorze.

A elaboração dos personagens é profunda e criativa, bem como as peripécias mirabolantes que neles vão surgindo. Nessa colocação é que mora o maior feito ao ponto de ignição narrativo, que é ter dotado todos de uma ambiguidade, algo bem encontradiço no mundo real. Portanto, ninguém é só bom ou ruim. Todos temos as nossas razões, os nossos erros.

Outra característica engradecedora da trama são as ações socioeducativas recorrentes. Citarei as que eu pude captar, como a alienação parental que ocorre entre Dinorá e Cristiano, Abuso Sexual Infantil, Distúrbios de Personalidade, as Complexidades da Adoção, etc. 

Houveram alguns aspectos negativos, como em toda obra se há. A contante repetição de nomes, por exemplo, que poderiam ter sido melhor configurados na etapa de revisão. A maneira como todos os personagens, mesmo as crianças, possuem uniformidade de oratórias, implicando que todos tinham um inato domínio sobre a língua portuguesa. Os pequenos furos como o fato de Cristiano não ter descoberto sobre as constantes galhadas que sofria numa cidade tão pequena, onde todos não tinham papas na língua para fofocar.



Terapia pós-leitura

  • Eu quero um Cristiano para mim. <3. Ótimo pai, ótimo homem. 
  • Odeio Fernando, Dinorá, Bárbara, Frederico, Ricardo, Maribel (vadia), Henrique...
  • As reviravoltas são alucinantes. Reparem muito bem nos detalhes omissos e em como eles são importantes nas grandes revelações da história. 
  • Alguns componentes coadjuvantes conseguem ter momentos ímpares quando a atenção são voltadas a eles, através de cenas totalmente desconcertantes. 
  • Eu sabia que podia duvidar desses telefonemas misteriosos de Roxanaaaaaaa. Bicha danada.
  • Insano é como posso descrever um certo maluquinho, que nos momentos finais enlouquece de vez. 
  • Esse fucking livro nacional poderia ser muito bem adaptado à um formato televisivo, como uma minissérie. Cléo Pires se assentaria perfeitamente como Roxana. Bianca Bin como Maribel. Isis Valverde como Bárbara. Irene Ravache como Dinorá.
  • Recomendo após essa leitura, que assistam a esse curta-metragem sobre adoção.

Notas

  • Construção de personagens: 20/25. Sem dúvidas é um feito que merece ser ovacionado. Grandiosas delineações. Personalidades únicas e essencialmente ambíguas. Reafirmo: ninguém é somente bom ou ruim. Somos híbridos.
  • Condução da trama: 19/25. Entre cenas perfeitamente adaptadas e encaixadas, e algumas perceptivelmente arrastadas, não se há nada tão prejudicial a ponto de limitar a amplidão da trama.
  • Escrita/Tradução: 19/25. Demantova é categórica, objetiva e não se apega às meticulosidades descritivas dos fatos.
  • Fim: 18/25. Embora seja clichê, não poderia exigir ou me contentar com finalização melhor. Todos os pontos explicados, a felicidade tênue numa história de muito sofrimento. Merecido. 

  • Pontuação Final: 7,6/10
Assista ao booktrailer: 

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