RESENHA ''É INVERNO''



Hêlou, abigoss.

Trago hoje a análise crítica da nova obra da talentosa Cecília Mouta. Espero que se recordem das palavras que eu usei para descrever sua obra anterior ''O Colecionador de Borboletas'', um dos livros mais nectários (tão quanto ousado) que eu tive contato nos últimos meses.

Desta vez, apresento-vos: É Inverno. Uma pueril jornada que me propagou a sensação de Stranger Things versão Frozen - Uma Aventura Congelante.


Ficha

  • Título: É Inverno
  • Autor: Cecília Mouta Guimarães
  • ISBN-13:  9789897746475
  • ISBN-10: 9897746471
  • Ano: 2017
  • Páginas: 256
  • Idioma: Português (BR)
  • Editora: Chiado
  • É Inverno
    Sinopse: Izzy é fascinada pela neve, o inverno é sua estação do ano preferida. Todos os dias, na escola, ela se diverte com seus melhores amigos: Lil, Sam e Mat. Porém, Lil sofre de pesadelos e toda vez que os tem, algo ruim acontece em seguida.Naquele ano o inverno estava diferente, intenso. E, certo dia, Lil tem um pesadelo que muda completamente a vida dos quatro amigos. Os episódios seguintes levam o leitor a viver momentos emocionantes nas descobertas que Izzy faz sobre a própria vida. Até que chega o momento crucial em que ela tem que fazer uma escolha que poderá colocar um ponto final em toda a sua história até ali, inclusive na amizade com sua melhor amiga Lil.
  • Gênero: Suspense / Fantasia / Literatura Nacional / Romance
  • Instagram da Autora / Fan Page da Obra
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RESENHA

A história é uma jornada que fascina justamente pela presença de elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais muito bem definidos, reducionistas e sublimes. O requinte temático é maestro desde a arte de capa até a diagramação, que, perante a visão do Blog, facilitou no desempenho da leitura, sem que a mesma se tornasse enfastiante.

Melodramático. Sensível. Reflexivo.

Com uma narrativa leve em primeira pessoa, Mouta mais uma vez apresentou uma fusão entre a mansidão gramatical e uma trama muito bem orquestrada, cheia de mensagens transparentes e aparentes.


No enredo, temos a pequena Izzy, uma garota ajuizada com um arcabouço sentimental totalmente delimitado e por vezes até filosófico. No contexto, tal característica nunca aparentaria ser inverossímil por conta da sua idade, muito pelo contrário - a partir dos caminhos narrativos somos convidados a entrar nos pensamentos de Izzy e acabar ratificando que sim, existem crianças tão evoluídas quanto ela é.

A menina é vidrada pelo inverno e todos os componentes gélidos que dele surgem, por isso é até apelidada carinhosamente de ''Flocus'' pelo seu pai, em alusão aos flocos de neve (achei isso tão bonito). Logo no princípio são mostrados os seus melhores amigos : Lil, Sam e Mat, com quem forma um nicho escolar no Colégio de St. Westwood, de tal forma a conectar os personagens definitivamente ao apego do interlocutor, que viaja nas curvas daquela bela amizade.



Lil é a co-protagonista mais interessante desse grupo. É uma menina terna, embora se torne por vezes, impetuosa e rebelde. Neste exato ponto é demonstrado a amplitude moral da personagem, (para mim, uma personificação da Docinho de 'As Meninas Super Poderosas') que carrega uma ~indesejada~ habilidade sobrenatural: ter estranhos presságios através de seus sonhos. Sempre que tem essas visões, algo muito terrível acontece e é exatamente a partir daí que toda história se desenvolve por completo, proporcionando desastres imensuráveis como o principal acidente da trama.

Uma grande jogada autoral foi a fragmentação da história em duas épocas distintas, delineando as mudanças do enredo. Vemos por exemplo, a protagonista ter sua natureza transformada completamente a ponto dela se tornar aquilo que um dia preteriu. 

“Não é porque crescemos que devíamos apagar os significados da nossa infância. Afinal, a infância era a parte da vida onde éramos mais inteiros.”

A misticidade dos fatos principais carrega consigo um autônomo magnetismo com o leitor, que começa a formular mil-e-uma teorias para solucionar as peças da trama. Isso já é uma clara propriedade de Cecília Mouta que imediatamente remete a autores como David Levithan. 

As conversações vaporosas são em geral simplistas, embora se apegue demais a frases de efeito, isto é, sucessivas tentativas em se transmitir mensagens ao leitor. Algumas [poucas] vezes isso prejudicou o desenvolvimento do ritmo que por si só fluiu eletricamente. 

Seria provável presumir que, observando a narrativa excessivamente objetiva, a obra não comportaria um clímax ousado, mas isso é um equívoco. Mouta consubstanciou aquilo que é infalível para se constituir uma boa história: imprevisibilidade e inúmeras reviravoltas. Nesse sentido somos acomodados a um berço de satisfação, principalmente quando nos identificamos com as nobres acepções quanto ao valor da amizade, da família e do perdão.   

“A verdade era que não importa se vivemos oito ou oitenta anos. A vida sempre será curta, porque sempre haverá sonhos a serem realizados, e não teremos tempo para eles.”

TERAPIA PÓS-LEITURA
  • Sam é meu, ninguém toca.
  • Aurora Aksnes mais uma vez é, para mim, a singer #1 para esse livro. Ouçam Murder Song, Winter Bird - impossível não associar ao clima friento. <3
  • Queria ser uma líder de torcida também. :(
  • kkkkkkkkkkkk ''gata, cê ta aí?'' kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
  • LIS THE BEST EVER AND EVER AND EVER AND EVER
  • ''não existe par melhor para o baile pra mim do que você. nunca existiu'' DE-LÍ-CI-A

Notas

  • Construção de personagens: 21/25. 
  • Condução da trama: 19/25. 
  • Escrita/Tradução: 20/25. 
  • Fim: 20/25. 

  • Pontuação Final: 8,0/10


TEASER BY BANANA BRONZEADA

Resenha do livro ''Uma Vez Você, Uma Vez Eu''




OPA, abigossss.
Como sabem, estou concentrando uma atenção prioritária em parcerias com autores nacionais, principalmente neste semestre, já que o trabalho vai dobrar com campanhas de editoras associadas. O ciclo segue volteando com vigor. Hoje trago a vocês uma análise da obra ''Uma vez você, Uma vez eu'' da autoria de Diego Martello, que é realmente um dos melhores escritores, em termos de talento, com quem eu tive a oportunidade de trabalhar (e olha que não me dou o trabalho de fazer elogios gratuitos - se recebeu, é porque é.).


Ficha

  • Título: Uma vez você, Uma vez eu
  • Autor: Diego Martello
  • ISBN-13:  9788542806298
  • ISBN-10: 8542806298
  • Ano: 2015
  • Páginas: 184
  • Idioma: Português (BR)
  • Editora: Novo Século (Novos Talentos da Literatura Brasileira)
  • Sinopse: Marcos e Willian, pai e filho, tentam se reconciliar após anos de desentendimento. Em paralelo, Eva, mulher de Willian, quer a todo custo engravidar, o que frustra o casal. A partir da visão do interior de cada um, esses personagens terão de reconfigurar o modo de pensar para enfrentar os seus conflitos. Nessa fase tão conturbada para todos, reflexões acompanham cada segundo da trajetória deles.
    Narrada de forma surpreendente, provocativa e crítica, esta obra não tem a pretensão de apresentar soluções para os problemas enfrentados, mas, sim, mostrar as armadilhas de nosso fluxo de consciência, para compreendermos que as soluções dos problemas dependem, muitas vezes, da forma como se lida com as ilusões, ou, ao contrário, como se enxerga verdadeiramente a realidade.
  • Gênero: / Literatura Nacional / Romance
  • Instagram do Autor / Fan Page da Obra
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RESENHA

Monumento possante. Assim podemos descrever a narrativa de ''Uma vez você, Uma vez eu''. É uma obra que expõe, acima de tudo, a aptidão do autor, até mais do que a história em si. 

'' (...) a responsabilidade deve crescer junto com a força (...) ''

Vamos nos reter ao enredo: William é um homem de sucesso, casado e extremamente criterioso. Seus iluminados pensamentos são exatamente o motor que guia grande parte da história, condecorada desde os seus problemas pessoais até aos seus anseios profissionais. O nível intelectual do personagem merece importante menção pois é deveras grandioso, todos os seus discursos motivacionais já são capazes de definir o quão o personagem é bem resolvido.

Com sua esposa, Eva, ele divide uma angústia comum em vários casais: o embaraço resultante de não conseguirem ter um herdeiro. É evidente que tal dificuldade lhe traz frustrações, mas o interlocutor pode sentir o pulso firme de William ao lidar com essa situação.

Em outro momento, é trazido à tona a desagregação familiar ocorrida entre o protagonista e seu pai Marcos. As motivações para a separação são muito bem delineadas, recusando superficialidades e aprofundando-se no que realmente importa para o curso da trama.

O conflito fantástico entre as características e aflições de Willliam podem soar bem familiares. O fato dele ser autoconfiante mas ainda assim se abater por opiniões contrárias é um exemplo disso.

Complexidade e profundidade permeando as veias dos personagens. Todos com muito conteúdo.

Particularmente, demorei para sacar a essência da trama, bem como o sentido que nela habita, no entanto, quando acontece o momento de reencontro entre pai e filho, todo contexto se transforma, havendo assim uma explosão de porquês, sempre com uma coerência impecável.

A habilidade na escrita de Diego Martello foi de excelência exorbitante, mesmo em diálogos gigantescos, estes adaptados para que o romance não perdesse seu requinte. Essas conversações raptam a atenção do leitor mais atento por serem traçadas com perfeição até na escolha de verbetes.

Martello se saiu muito promissor em sua primeira obra, se ele quisesse se passar por um autor de grande curriculum, ele certamente conseguiria. Sua narrativa em pequena análise pode parecer muito formal, mas engana-se quem assim define. A meticulosidade e ordem na escrita contribuem para que ele seja um magistral. Facilmente se encaixaria em qualquer outro gênero literário.


Terapia pós-leitura

  • É um Casos de Família 2.0 para pessoas finas. (sem baixarias, claro.)
  •  Eu não me identifiquei com William. Na verdade, me apaixonei por ele. Que homão da p****. Eva que se cuide.
  • É necessário se ter calma e lucidez para extrair o miolo vistoso do enredo. Não funciona ler na correria. O bacana do livro é a reflexão, e sem bonança o leitor não chegará a lugar nenhum.
  • Seria Diego um novo Manoel Carlos? Me chama para ser Heleno que eu vou.
  • Conteúdo tão denso e bem construído que oscila entre vários temas muito relevantes como: relações familiares e seus abalos, o desenvolvimento profissional, o Mal de Alzheimer, etc.

Notas

  • Construção de personagens: 20/25. 
  • Condução da trama: 18/25. 
  • Escrita/Tradução: 25/25. 
  • Fim: 18/25. 

  • Pontuação Final: 8,1/10

Assista ao booktrailer:

Resenha do Livro ''O Colecionador de Borboletas'' de Cecília Mouta




Hoy, abiguitos.
Quem me conhece sabe que, no início do ultimo ano, estive obcecado por borboletas. Tal vibe ocorreu devido a influencia afável da cantora Aurora Aksnes, que me levou a escrever uma personagem, também nomeada Aurora ( com codinome A Mariposa Feia), para o meu ultimo romance 'Clube dos Feios'. 

Embora a minha Mariposa tivesse fonte de seu espírito virtuoso nas canções de  Aksnes, nunca encontrei uma outra manifestação artística que lhe assemelhasse tanto. Isso de fato mudou quando chegou em minha casa o livro 'O Colecionador de Borboletas' de Cecília Mouta, fruto de uma parceria que envolveu gentileza insigne da escritora. E é sobre essa obra que hoje o Banana Master irá fazer uma review. <3

Ficha

  • Título: O Colecionador de Borboletas
  • Autor: Cecília Mouta Guimarães
  • ISBN-13:  9788576798101
  • ISBN-10: 8576798107
  • Ano: 2012
  • Páginas: 256
  • Idioma: Português (BR)
  • Editora: Novo Século (Novos Talentos da Literatura Brasileira)
  • Sinopse: Você sabe qual a verdade sobre o efeito borboleta?Nicola é um pesquisador e colecionador de borboletas que perdeu a memória. Durante sua recuperação, com a ajuda de uma psiquiatra, descobre que possui o poder de voltar ao passado e modificá-lo, e também que era apaixonado por uma garota chamada Joana, que aparece repetidas vezes em meio à suas confusas visões.
    Pior que uma lembrança morta, é uma lembrança que insiste em ressurgir. E Nicola terá que seguir o fio de suas vagas recordações para desvendar até que ponto alterou seu passado. Porém, este colecionador ainda não tem consciência do quanto o efeito borboleta pode ter afetado seu próprio destino.
  • Gênero: Suspense / Fantasia / Literatura Nacional / Romance
  • Instagram da Autora / Fan Page da Obra
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RESENHA



'O Colecionador de Borboletas' é o que eu posso chamar de trama sublime, embora mantenha realces sombrios com o passado de seu protagonista Nicola, que tem sua história traçada coerentemente em primeira pessoa.

A estrutura do enredo é tênue e veloz, implicando considerável surrealidade em certos fatos da narrativa. No entanto, Mouta se esquiva de padrões do gênero ao se destinar a explanar uma jornada sobre mistério, fantasia e filosofia. Sim, filosofia. Sobre o tão célebre e temido TEMPO, elemento ultimamente comum em diversas expressões artísticas, principalmente na industria cinematográfica.

Temos diálogos dotados de reflexividade. Produtivíssimos. Inteligentes. Orquestrados de maneira incontestável. São propositalmente limitados para podar o excesso de informações desnecessárias, ao mesmo tempo em que se é notável a habilidade de Mouta em exteriorizar uma conversação realista e totalmente capaz de imobilizar o leitor.

''Eu tenho um corpo, Liz. Mas não tem como provar que tenho uma alma. Algo para viver.''

O protagonista é Nicola Macwood, que é apresentado em uma cena envolvendo agonizante tensão. Sobre o rapaz, absorvemos informações relevantes conforme as páginas vão passando. Ele estava numa espécie de rehab, não se lembrava de seu passado e tinha uma ligação intrínseca com borbeletas. Descobrimos ainda mais: ele foi graduado em biologia, singularizando-se no ramo da entomologia, por influência de seu grande amor, a doce Joana.

Os obstáculos iniciais do personagem-central concentram-se justamente em se lembrar do quê o levou àquele deprimente estado, tanto quanto se ater em tudo o que ocorreu posteriormente, enquanto seguia internado. Onde está sua amada Joana? Quais as consequências do Efeito Borboleta?

''As borboletas sempre sabem qual é o seu jardim.''

O casal ''Jonico'' é um dos pontos altos da trama ao laçar o leitor com diálogos encantadores. Tal grandeza se mostra tão perceptível (e familiar) que logo nos traz à mente nítidas imagens de casais formados por crianças no cinema. (vejam Coming of Age na Netflix.)

A complexidade do enredo é operada de maneira simples e convencedora. Pode crer que o leitor que desconhece o assunto (como eu) irá procurar mais informações sobre o instigante Efeito Borboleta.

Os problemas de narrativa felizmente não se encontram por deslizes e furos da história, que é especialmente muito bem encaixada, mas sim na constante repetição de ações. A exemplo, temos o fato dos personagens chorarem o tempo todo, por qualquer coisa.

Terapia pós-leitura

  • Jonico <3
  • Achei incrível a ação socioeducativa da trama ao tratar do tabagismo. 
  • A maneira como Nicola descreve o processo de regressão temporal foi muito bem elaborada, detalhando ações anteriores ao contrário até se voltar ao ponto desejado. Entretanto, presumo que o rapaz conseguiu utilizar-se dessa artimanha com muita facilidade, não foi algo conquistado com empenho. Ele simplesmente desejou e conseguiu, como se já fosse um gran mestre nisso. 
  • Mesmo recorrendo a retroação do tempo, nem sempre pode-se impedir tragédias. Realmente muito interessante... Nos cabe refletir, refletir e refletir.  
  • AS ÚLTIMAS FRASES DO MEU STATUS DO WHATSAPP FORAM TIRADAS DESSE LIVRO. :3

Notas

  • Construção de personagens: 17/25. 
  • Condução da trama: 19/25. 
  • Escrita/Tradução: 20/25. 
  • Fim: 17/25. 

  • Pontuação Final: 7,3/10

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