Crônica Baseada em Por Amor -

Crônica -

Dirce endireitava o grandioso tapete enrustido em veludo que ficava estirado assimetricamente paralelo á porta de entrada , mas sua ação logo fora interrompida quando alguém passava a chave do lado de fora da porta . DRBRONC! Abriu-se a porta , que mesmo de madeira fina produzia um som repugnante. Era Pedro , filho caçula da patroa, trazia consigo em seu olhar um nervo insosso .



- Algum problema, seu Pedro? - Quis saber a criada .

- Cadê a minha mãe? - Disparou o rapaz , nada amigável. - Onde é que ela está?

- Na Sala de estar. Aconteceu alguma coisa?

- Aconteceu ! - respondeu alterando a voz. - A Sílvia me ligou aqui na sexta, você antedeu , Dirce. Primeiro disse que eu estava, depois mudou de ideia como se a moça fosse uma idiota.

Dirce empalideceu , não gostava de mentir, tampouco omitir, mesmo assim tentou explicar-se :

- Mas não tive culpa .

- Eu sei ... Eu sei que você não tem culpa. - Berrou Pedro prosseguindo em seu nervosismo. - Eu sei quem é a culpada de todas as coisas sujas que acontecem nessa casa !

Cora que papeava na sala com sua amiga , quando amedrontou-se naquele momento perguntando o que estava acontecendo . O rapaz intolerantemente segue-se a sala abandonando sua bolsa de velcro no chão.

- Todas as vezes que a Sílvia me liga, você manda dizer que não estou ! - Explode apontando o dedo no rosto repleto de cirurgias plásticas de Cora.

- Quer abaixar a sua voz e tirar o dedo da minha cara? - A mulher se defende - Não sou sua empregada , sou sua mãe.

- Claro que você não é minha empregada . - Retruca  - Você acha que teria uma  criada mesquinha como você? Porque criado a gente escolhe, mãe não . Me deram você e eu não tive opção .

- Que isso , Pedro ? - Indigna-se a visita.

- Sabe por que digo que você não está? - Pergunta sarcasticamente Cora - Não sabe? Eu digo que você não está porque para mim você não está . Para mim você não existe.

- Que baixeza ! - Induz ele - Que mediocridade humana, que ser humano mais vil , abjeto você se tornou.  

- Não fala assim com sua mãe ! - Pede Rose.

- Deixa ele dizer , Rose! - Ressalta Cora, indicando o dedo para o chão. - Ele ainda não percebeu que está em minha casa, portanto o telefone é meu . Eu chamo ou não chamo quem eu quiser.

- Invejosa , Invejosa! - Diz ele prosseguindo nas insinuações diretas.

- Olha aqui , eu mandei cortar seu celular! - Adverte ao filho . - Quer um celular ? Compre um , e depois pague a conta no final do mês.

- Pois então '' mãe '' , pensando que ela não me avisaria do acampamento eu peguei um avião e fui para lá.

- Eu sabia! Eu sabia! É... Faro de mãe . Não engana nunca. Pois muito bem , vou cortar a sua mesada, cancelar todos os cartões . Vai ter que trabalhar muito , para comprar uma passagem de ônibus , se quiser.

- Quer saber ? Passei um dia nos céus , só eu e ela. Sem nenhum cãozinho farejador. Muitos abraços , muitos beijos, a felicidade enfim.

- Ta achando o que? Que ela está interessada em você? Está é com um pé de cabra , pronta para assaltar o cofre da família.

- Você conhece pouco das pessoas. Você é uma ignorante em matéria de ser humano , você acha que todo mundo é como você . Mas não é não! Tem muita gente que é digna , honesta e sincera neste mund...

- Lamento... - Interrompe Cora. - Lamento e choro cada centavo que gastei com você. Seus estudos, suas viagens . Se soubesse que iria cair nas mãos de uma pé de chinelo , teria lhe criado no quarto do jardineiro .

- Você tem inveja da minha felicidade .

-  Que felicidade? Estou casada á trinta anos .

-  Você quer dizer que é infeliz á trinta anos.

- O que você sabe da minha vida , Pedro?

- Você tem ódio de todo mundo que ama e é amado como eu . Quer saber porque?

- Não quero saber , e olha lá o que vai dizer. Não quero ser ofendida por ninguém .

- Mas eu digo . Você ama sim...  Mas não é amada . Quer que eu repita isso com todas as letras? Você ama o Rodolfo , mas ele não ama você , nem meu pai .

Cora enche-se de fúria  desferindo uma série de tabefes no rosto de Pedro .

- Eu odeio você . - Diz a dama desgovernada.

- Eu tenho pena de você . - Retribue  o noviço .

- Rua! Sai! Rua! Fora da minha casa!

- Sabe o que acontece Cora? - Diz calmamente Pedro seguindo para a porta. - Eu não amo você, o Rodolfo não ama você , o papai também não ama você. Ninguem ama você! 

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