Resenha + Entrevista com o Autor - O Investigador de Sótãos

A vida perfeita retém-se num ciclo onde a eternidade depende da verdadeira amizade.

Obra a ser aqui resenhada

Oi amigos. Há alguns meses havia adicionado o autor Emerson Machado no Facebook, entretanto, só fui falar com o mesmo há algumas semanas atrás. Um rapaz muito talentoso e brilhante, assim digamos, que me fez tomar uma curiosidade imensa. Ele prometeu que iramos trocar nossos livros, Piratas de Lua Cheia (dele), e Segure Minha Asa (meu), quero só ver (risos)....

Consegui adquirir um exemplar de sua segunda obra, O Investigador de Sótãos, e dela sairá uma resenha quentinha + entrevistado com o Mr. Son (apelidos aos íntimos, me desculpe (dois risos).


Sinopse


Depois de tentar descobrir o que o sótão da casa vizinha esconde, Eanes embarca numa viagem inesquecível. Além de conhecer histórias capazes de transformá-lo, o menino vai perceber que nem tudo é para sempre, mas que a amizade é um sentimento eterno. (Livro selecionado para o PNBE 2011 - Programa Nacional Biblioteca da Escola).


A minha opinião

Para ser sincero o ultimo livro infantil que li foi em 2012. O Investigador de Sótãos me deu um tiro certeiro na testa, para eu deixar de ser bobo, porque de infantil essa obra não tem nada. É uma obra que pode ser misturada a todas idades, classes, religiões. Meu Deus!

A trama gira em torno do garoto-bomba Eanes. Menino mal-criado, sinônimo de problema. Depois de descobrir o que o sótão da casa vizinha esconde ele se joga numa aventurona, e ai conhece Butzen, um velhote que lhe conta histórias que tornam-se cada vez mais integras no rapazinho, que vê-se mudando aos poucos.

Eu juro que fiquei comovido, e poucos livros me fazem ter a sensação. Gente, o pai de Eanes perde um sentido (não falo qual é, não posso dar Spoiler) , e o velho amigo Butzen o ajuda de uma forma surpreendente. Cara, fiquei a cada capítulo em êxtase.

O livro nos ensina a dar valor a amizade, a família, e principalmente, de certo modo implícito no amadurecimento.

Sobre a capa: Vi muitos dizendo que que não leria o livro pela capa, e tal. Eu não digo o mesmo. O livro, ilustrado, me dá uma sensação de fantasia tão grande, é uma paz incondicional saber que irei abrir o livro e encontrar todas aquelas representações da belíssima história de Eanes. Esses muitos maus-críticos não sabem dar valor a coisas que realmente acrescentam, de certo queria uma coisa mais obscura, típica das capas de livros infanto-juvenis presentes hoje em dia.

Adorei tudo, amigos, indico, indico, indico. Dia das Crianças chegando ai, deem de presente para seus filhos, sobrinhos, pais, avós...


Classificação : 4.999999999999999999999999999 (CINCO DE UMA VEZ, PUXA)

Entrevista

Entrevista com o escritor Emerson Machado.

1 – Após eu ter lido sua obra O investigador de Sótãos, tive a sensação de que o personagem Eanes é uma parte de cada menino mal criado que perambula por ai, mas que ao mesmo tempo aparenta-se certa carência. Quero saber se há uma inspiração para tal protagonista.
O Eanes é muito carente mesmo (risos). Na verdade, eu me inspirei em todos os garotos mal criados que eu encontrei na vida, mas também tirei o desejo de aventura de mim, que sempre fui muito curioso e queria descobrir segredos de tudo e todos. Investigar sótãos é uma alusão sobre essa curiosidade nata do personagem principal. Os sótãos podem guardar muitas coisas, assim como o coração das pessoas, e decobrir essas coisas demanda coragem e determinação.
2 – Lendo o livro, vemos a importância da amizade, e que ela é um símbolo absolutamente dado à eternidade. O quão é essencial para você cada um de seus amigos?
Eu não tenho muitos amigos, mas os que eu tenho são muito especiais. Em O Investigador de Sótãos fica clara essa constatação de que os amigos são a família que a gente escolhe e que, por isso, devemos dar tanto valor quanto damos para nossa família de sangue, pois os amigos de verdade estão sempre lá por nós, seja em momentos felizes ou tristes.
3 – Eu, também como escritor, vejo que as ideias surgem subitamente. Você teve alguma inspiração inusitada num lugar impróprio? Para qual livro você a usou? Conte como foi.
Acho que em lugar impróprio nunca aconteceu. O que aconteceu é ter uma ideia e não ter como anotá-la imediatamente por algum motivo banal. Nesse caso, fico repetindo a ideia na cabeça o tempo todo até poder anotá-la. Senão as ideias passam e a gente não consegue lembrar depois... Uma ideia que surgiu de repente em um lugar que eu não podia parar para pensar sobre ela foi para o livro “Mamães e Papais”, que foi escrito depois em dez minutos, de uma vez, para que a ideia não fugisse mais da minha mente.
4 – Se tivesse que mandar um livro seu para seu maior ídolo literato, qual escolheria?
Eu não tenho exatamente um “ídolo literato”, eu tenho admiração por vários e sei que cada um tem um jeito de escrever diferente e todos são ótimos exatamente por isso. Mas se eu tivesse que mandar um livro para alguém que admiro seria “O Menino dos Olhos” (livro que eu ainda não publiquei) para Stephen King. Por ser meu primeiro livro para o público adulto, com terror e suspense, acho que ter algumas dicas dele seria mais que maravilhoso.
5 – Quem é realmente Emerson Machado? Defina-se ao seu próprio enxergar.
Sou uma pessoa simples e educada. Gosto de falar o que eu penso (mas de uma forma mais agradável, sem me impor ao que os outros acham), tenho uma paixão por livros infantis e juvenis, são os meus favoritos. Dizem que meu sorriso é bonito, por isso é uma das coisas que eu mais gosto em mim. Não sei se acredito em signos, mas o meu (Gêmeos) parece correr atrás de mim. Sou bastante indeciso e medroso de tomar certas decisões. Sou apaixonado por muitas coisas e não tenho vergonha de dizer o que sinto (o que me atrapalha às vezes porque essa “qualidade” vira um “defeito” e assusta as pessoas). Não gosto de escrever sobre pressão e não sei lidar muito bem com pessoas que ficam no celular o tempo todo (isso me irrita e eu acabo brigando ou discutindo com a pessoa). Ah! Eu não gosto de pipoca e quando vou ao cinema sempre torço pelo vilão.
6 – Qual é o melhor livro que você já leu?
Como Viver Eternamente: cada segundo conta, de Sally Nicholls. Só vou dizer uma coisa sobre o livro: todo mundo deveria lê-lo.
7 – Em Piratas de Lua Cheia, um dos principais temas é a vingança, vivida por Eliakim. Você iria até onde ele foi, muito longe, simplesmente para derrubar quem um dia te derrubou?
O Eliakim é um ótimo personagem, pois ele busca vingança, mas não sabe exatamente o que é isso. Porém, ele não é o tipo de pessoa que mataria por causa disso, aliás, ele é cheio de compaixão e inteligência, qualidades com as quais me identifico. Não tenho coragem de fazer mal à ninguém nem a algum animal. Sou chorão e fico tocado com notícias tristes. Por isso, ser um vingador não faz exatamente o meu tipo. Gosto bastante do diálogo e acho que uma boa conversa pode resolver quase tudo.
8 – Neste exato momento, qual livro você mais deseja ler?
Barba Ensopada de Sangue, do Daniel Galera, que eu emprestei na Biblioteca Pública do Paraná semana passada e ainda não li, mas ele parece tão bom!
9 – Em meio a todos os personagens que você já criou, qual você mais se identifica?
Com o personagem-narrador de O amigo que se tornou uma estrela, que será lançado em breve pela Giz Editorial (lançamento do selo editorial Giz de Cera). É um livro infantil em primeira pessoa sobre perder alguém que amamos. É bem sensível e traz nele um amor de amizade tão forte e arrebatador que acaba tocando a todos. O personagem não tem nem nome, mas a tristeza que ele sente eu já senti, o que faz dele um dos meus personagens favoritos e também o que eu mais me identifico.
10 – Qual o maior defeito de um autor? Ou se quiser citar um próprio seu.
Eu tenho um defeito muito grande: procrastinar a escrita. Anoto todas as ideias e as deixo num caderno ou num cantinho do meu computador e demoro para colocar a mão na massa. Leio bastante (geralmente textos mais curtos, como contos) e sempre coloco uma data para começar/continuar/finalizar um livro, que sempre acaba sendo adiada, o que é bem chato – ainda mais se eu tenho pessoas esperando para ler o livro.
11 – Vejo que você define seus livros como filhos. Só que eles são imortais, de certa forma, e você não. Quando você se for, eles continuarão encantando a quem ler. Como lida com isso?
Vou confessar uma coisa: um dos meus maiores medos é partir e não deixar nada para que as pessoas se lembrem de mim. Ter minha existência jogada dentro de um poço de esquecimento e nunca mais lembrarem quem eu fui. Esse pensamento me deixa apavorado! É um dos motivos de eu não parar de escrever, pois assim sei que no futuro, daqui 100 anos, alguém ainda vai ter o meu livro e saberá que eu existi. Além disso, saber que meus personagens farão companhia para as pessoas muito depois de eu ter ido embora é uma sensação de que me tornei um ser humano completo e feliz.


Jogo Rápido
1 – Um filme
Philomena
2 – Uma musica
Raconte-Moi Une Histoire, da banda M83.
3 – Um amor
Esse é um segredo meu
4 – Um sonho
Ver a Via Láctea e a aurora boreal com meus próprios olhos à noite, de algum lugar como o norte da Finlândia, Suécia ou Noruega.
5 – Cinco coisas para realizar antes de morrer
1)      Ver a Via Láctea; 2) Ver a autora boreal; 3) Ser traduzido para vários países; 4) Dar uma volta ao mundo; 5) Ter um filho.
6 – Se o Pato perder a Pata, ele fica viúvo ou manco?
Depende de qual pata.
7 – O que gosta nas pessoas?
Amor
8 – O que não gosta?
Inveja e aquele sentimento esquisito de ter que passar por cima de alguém para se sentir melhor.
Agradeço pela entrevista concedida, meu novo grande amigo Mr. Son. Espero que essa amizade se multiplique cada vez mais. Um abraço, e grande sucesso.
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