Leiam na íntegra a minha contribuição ao roteiro de ''Com amor, Dina''


Penúltimo Ato

Personagens: Vivian Prada / Caique Alencar 
Tomada: Mansão Prada/Rua chuvosa
Parte colaborada por: Marco Birkheuer
Trilha sonora: Rui Mendes


Vivian: (impaciente, e desperta-se ao ver o neto chegar)Onde você estava?

(Silêncio/Caique joga sua bolsa sobre o sofá e segue em direção a escada)

Vivian: (seguindo-o) Caique! Volte aqui... Eu disse para você olhar para mim... (bate em seu peito) Nos meus olhos, e me responder, onde é que você estava. 

Caique: (suspira) Não entendi qual é a sua. Sinceramente. Eu juro que até tentei, mas, não consegui. Primeiro, mente para mim, descaradamente, fazendo-se passar por uma tia pobre. Depois...

Vivian: Eu sei o que vem depois, e isso não interessa..

Caique: (alterando o tom de voz) Não interessa só para você, porque é muito fácil você encobrir seus próprios erros como se isso te fizesse ter o direito de querer saber da minha vida. Mas esse direito você não tem, tá me ouvindo?

Vivian: Eu sou a sua vó.

Caique: (sorrindo cinicamente) Que bom que alguém te avisou isso.

Vivian: É tão difícil para você compreender as coisas, meu Deus. 

Caique: Compreender exatamente o quê? Vivian, eu sugiro que você fique calada, pelo menos por um instante, para você parar... E pensar no que você fez, ou melhor: no que você tá fazendo.

Vivian: Você acha que pode me julgar?

Caique: Qualquer um em si consciência pode te julgar.

Vivian: Ai que você se engana. Todo mundo... Eu disse: TODO SANTO MUNDO, adora julgar as pessoas, o que elas fazem, o que elas fizeram, seus gostos, suas aparências, suas bondades, suas maldades. Tudo é julgado, em silêncio, ou aos prantos. Mas, quando o julgado resolver julgar, eles não aceitam... Sabe por que?

(Silêncio)

Vivian: Porque estão com a alma frustrada, doendo. E isso, meu neto, eu entendo como é. Olhe para mim: sessenta e oito anos. Vivi poucas e boas. Me envolvi com coisas que nunca pensei que fosse ver. E agora... Nessa idade. Com você. Tenho a chance de me renascer. 

Caique: (chorando) Eu juro que tento... sim, eu tento... Mas não consigo te compreender. 

Vivian: (também chorando) Sua doença é na carne, é visível. A minha está na alma, e talvez seja inconcertável, e incompreendida. 

Caique: Vai colocar a culpa na sua depressão?

Vivian: (grita) As coisas não são tão fáceis como eu gostaria. 

Caique: (grita) Mas você poderia torná-las!

Vivian: (murmura, soluçando) Agora eu posso... Tornar as coisas mais fáceis para mim, e... para você, meu neto. 

Caique: Eu estou morrendo... Agora me diz: do que isso adianta? Esse seu arrependimento tardio. Mesmo se eu resolvesse te perdoar, o que nunca vai acontecer, você me veria de olhos abertos por semanas, talvez meses. 

Vivian: (estende a mão ao neto) Farei desse tempo uma eternidade, se você me der a sua mão e me dar uma chance... Uma única chance de consertar tudo, porque eu mereço... Eu sou sua avó. 

Caique: (com os olhos repletos de ódio) VOCÊ NÃO É A DROGA DA MINHA AVÓ!

(Caique sai de casa/está chovendo forte/Vivian permanece plantada ali com a mão no peito com os olhos fitados ao nada, tendo flashbacks de sua filha Amara. De repente cai em si e sai a procura do neto.)
Rua/Chuva forte/Sons de trovões
(Caique perambula transtornado)

Caique: (sussurra chorando muito, como se só ele pudesse ouvir) ela tirou tudo de mim! Ela roubou a minha vida. Eu a odeio com todas as minhas forças. Por que ela fez isso? Por que ela fez isso? Por que ela fez isso?

Vivian: (grita, ao fundo, encharcada pela chuva) CAÍQUE!!! 

Caique: (rebate com um berro ao olhar para trás, com os olhos furiosos) ME ESQUECE! PARA SEMPRE!

(Uma turbulência revela Vivian de joelhos no chão com a mão no peito, e aos poucos Caique com a visão surpresa de ver a sua avó caída, tendo um ataque cardíaco.)

Caique: (berra, o som saí ecoado) VOVÓ!!

(fade in se abre dando a vista de Caique já prestando socorro a avó, fade out, com a ambulância e várias pessoas ao redor, fade in, com Vivian sendo colocada numa maca por enfermeiros, fade out, com meia dúzia de pessoas consolando Caique.) 










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