Resenha do livro ''Uma ou Duas Pétalas'' #CampanhaLeiaUmNacional



Oi abigosssss mais lindos do mundo. ⧫

Eis-me aqui para traçar a análise crítica do livro Uma ou Duas Pétalas do Luan Araujo.
Após a publicação no Facebook em que anuncio  que farei um turbilhão de resenhas em nome de nossa literatura nacional, apareceram inúmeros escritores que tinham como objetivo serem lidos, e é exatamente por isso que resolvi fazer minha modesta divulgação para que os leitores brasileiros possam dar mais valor a nossa riqueza literária. 

Ficha

  • Título: Uma ou Duas Pétalas
  • Autor: Luan Araujo
  • Ano: 2015
  • Páginas: 188 (Versão Amazon) 319 (Versão PDF)
  • Idioma: Português (BR)
  • Editora: Auto-publicado
  • Sinopse: Prestes a se formar, empregado, e num relacionamento estável há mais de três anos, Alex leva uma vida confortável e feliz. Mas as coisas começam a ficar estranhas quando ele recebe um curioso pedaço de papel de uma criança. A partir daí, Alex se vê envolto em uma teia de segredos que abalam as estruturas de sua vida perfeita e colocam em cheque a integridade de seu companheiro. Assombrado por um misterioso menino e atormentado por pesadelos recorrentes, ele se vê obrigado a realizar uma perigosa viagem em busca da verdade, e aquilo que começa como uma tentativa de resgatar um relacionamento, se transforma em uma busca desesperada para salvar a própria vida.
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Um dos meus nacionais favoritos. Um conjunto saudoso envolvendo romance LGBT, Thriller e Magia. 

Resenha

Uma ou Duas Petálas é o que posso chamar de - mescla infalível - porque ao encadear gêneros como romance e ares de ficcção em tom sombrio, traz à tona um produto que cumpre formalmente a sua missão.
O prólogo do livro concebe um início umbrífero em um cemitério, cenário comum em histórias de terror mas que aqui se revela bem mais que isso, já que é o complemento essencial para o desenrolar da trama e seus mistérios. Nele, uma mulher peregrina pelo local até chegar em um jazigo específico e realizar um ato de exumação. 
Passou a mão pela pedra fria e pelos dizeres entalhados nela. Surpreendentemente, não chorou, mas não precisava. O céu estava fazendo aquilo por ela, como se quisesse lhe poupar o esforço e intensificar os seus  sentimentos. As lágrimas lhe molhariam só o rosto, mas a  chuva lhe molhava o corpo todo. Os trovões eram seus soluços e os relâmpagos, seus gritos de raiva. (Citação favorita)
No primeiro capítulo, somos apresentados ao protagonista, o estudante de biologia Alex, que de clichê tem tudo, no entanto, sua construção ganha força suficiente a partir do momento em que ele presencia fenômenos assombrosos, como o encontro a um garotinho assustador.

Ponto fraco para os diálogos entre Alex e Ricardo (um vizinho garanhão), que mostraram-se bobinhos, assim como a insistência em dizer o quão Ricardo é belo, o modo de aproximação entre os dois soa artificial.  Por outro lado, a escrita dos diálogos entre o protagonista e os demais personagens revelam o empenho do autor em tornar tudo aquilo cativante, e assim consegue.

Alex é casado com um homem mais velho (de olhos verdes, frisem isso) - Márcio - e os dois vivem o dilema do concubinato. Há uma presença muito forte de química entre ambos, apesar de que nem tudo revelará-se perfeito. Destaque para uma cena em que os dois expressam-se carinho. E esta relação ganha uma estremecida quando o nosso herói tem contato com a figura tácita e medonha de um garoto. Doravante, esses encontros tornam a acontecer frequentemente, até que o universitário descobre pistas do passado do amado, e este some sem dar explicações eloquentes.

Até ai tudo parece com uma série da grande Shonda Rhimes. (O pessoal da ABC devia contratar esse cara.)

O rapaz, furioso com o amásio desaparecido, junta todos as pistas dadas pelo menino (a esta altura com o nome já revelado), e mesmo sabendo que elas poderão levará-lo à algo totalmente desconhecido, convida (de forma novamente artificial) Ricardo, para que juntos possam procurar Márcio em uma cidade deveras longínqua. 

A teia narrativa, feita em terceira pessoal, entra em ascensão inúmeras vezes, não se contentando com apenas um clímax.  Esse fenômeno é exposto até mesmo ao leitor menos curioso (o que não é meu caso). A cada nova descoberta do Alex, seu envolvimento em descobrir todos os mistérios que rondam os avisos do menino-fantasma, nos faz elaborar mentalmente diversas teorias mirabolantes para tentar se explicar todos os conflitos. E deixo bem claro que eu sou muito bom nisso.

Na trama, há a escassez do aspecto humorístico (e, quando este acontece, vem em forma involuntária) o que é bom para que o enredo não perca o foco. Temos exemplos disso quando um dos personagens recebe um tabefe para acordar. (Eu chorei de rir, foi demais).

Tendo em vista o ultimo capítulo (o clímax dos clímax), absurdamente bem retratado, em conversações bem delineadas (dessa vez graças à Deus sem os comentários narcisistas e indiscretos do Ricardo) apreciamos uma soma de sensações atenuadas com surpresas que acentuaram toda essência da história.

Os momentos de tensão são plenamente dilúvios de talento do literato. Menção honrosa para a cena de quase afogamento no rio e a discussão final (entre herói e antagonista).

Destaque também para as ações socioeducativas presentes: o palratório entre Alex e um coadjuvante (denominado Dênis) que soou libertador na questão da intolerância em relação a sexualidade, fato extremamente visível em cidades interioranas. Tudo feito com muito cuidado e o resultado foi maravilhoso.

O autor possui um domínio incomum sob a escrita, dedicando-se a colher proveitos de qualquer mínimo elemento presente em uma dada cena. O livro desconhece o truque de longas passagens de tempo porque prova que tem conteúdo o suficiente para amarrar acontecimentos seguidos com divina maestria. 

Estou extremamente grato por ter tido o privilégio de ler essa obra, tendo pura consciência de tantos e tantos outros escritores talentosos perdidos numa espécie de limbo chamada ''desconsideração'' por parte de editoras que simplesmente arrancam os olhos para aquilo que tem realmente primor.

Luan, estarei sempre de portas abertas para resenhar a sua aptidão por aqui. Orgulhosíssimo. 

Terapia pós-leitura (contém spoilers)

  • Shippava muito o Márcio com o Alex.
  • Queria cenas de sexo.
  • Odeio caras do tipo do Ricardo, são do tipo que trai. O Alex vai se dar muito mal.
  • Estou com medo de dormir por causa do Enzo. 
  • Queria ter a coragem do Alex. Eu já teria corrido para bem longe.
  • Confesso que entrei na pele do Alex e senti ciúmes do Ricardo com o recepcionista. Acredite: isso acontece de verdade. 
  • Um dos melhores livros nacionais ever. Arrisco até a dizer que um dos melhores livros LGBT's realmente interessantes.

Notas

  • Construção de personagens: 15/25 : Com exceção do Ricardo, todos foram lapidados com o devido empenho.
  • Condução da trama: 24/25: Um dos poucos livros que gerem o enredo sem levar a exaustão, mas peca somente em dar um nível de importância altíssimo a um personagem  lânguido como o Ricardo. 
  • Escrita/Tradução: 25/25 : Notório o mérito do escritor Luan Araújo em produzir algo tão meticuloso, bem redigido e acima de tudo... bem feito.
  • Fim: 23/25: O final é imprevisível e genuinamente irá deixar todos boquiabertos. No entanto, achei o epílogo, em sua formulação resumida, um tanto quanto dispensável. 
  • Pontuação Final: 8,7/10
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